segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Piolhos. E agora?

A infestação de piolhos (pediculose) é causada pelo Pediculus humanus capitis (piolho do couro cabeludo) e pelo Pediculus humanus corporis (piolho do corpo), mais frequente na Europa, com pouca incidência no Brasil. O piolho do couro cabeludo é muito comum entre crianças e em ambientes escolares. No Brasil, a incidência em comunidades carentes pode chegar a 40%, sendo ainda mais prevalente em crianças de idade escolar (Wilcke et al., 2002).


O piolho capilar se aloja apenas em cabeças e se alimenta do sangue do hospedeiro e já foi encontrado em diversos climas, países e diferentes momentos da história, tendo sido, inclusive, descrito em múmias egípcias de 5.000 anos atrás. A  transmissão dos piolhos ocorre de cabeça a cabeça, sendo necessário um contato repetido e prolongado para atingir taxas de transmissão significantes (Canyon et al., 2002). A transmissão em escolas ocorre mais frequentemente entre os amigos mais próximos (Burgess, 1995).

Os principais sintomas da pediculose são coceira intensa e irritação do couro cabeludo, podendo surgir lesões na nuca, acima e atrás das orelhas, acompanhadas nos casos mais graves de aumento dos gânglios linfáticos (ínguas). Devido à coceira intensa, crianças infectadas podem apresentar distúrbios do sono e dificuldade de concentração, o que pode resultar em baixo desempenho escolar. Crianças com infestação severa também podem desenvolver anemia devido à perda de sangue decorrente da presença do parasita (Linardi, 2002). Adicionalmente, a coceira intensa pode provocar feridas na cabeça, facilitando a entrada de fungos e bactérias, o que pode gerar outros problemas à saúde, como micoses, infecções bacterianas, etc.

 Ao contrário do que muitos pensam o piolho não pula nem voa, apenas anda. Passa de pessoa para pessoa, por contato de um cabelo com o outro, por isso, é interessante manter os cabelos curtos ou presos durante infestações de piolhos. Também não existe relação entre higiene e presença de piolhos, o parasita infecta tanto cabeças limpas quanto sujas.

Uma vez detectadas a presença de piolhos ou lêndeas (ovos) em uma pessoa, todos que moram na mesma casa ou tenham contato direto com o indivíduo, devem utilizar pentes finos. Isto evitará a transmissão e a ocorrência de novas infestações. Assim, o tratamento necessário para a pediculose é sempre um tratamento em grupo.

Vejamos agora, dicas sobre formas de tratamentos da pediculose:

Pente Fino

A utilização do pente fino é importante por ajudar a eliminar tanto as lêndeas quanto piolhos adultos. É normalmente associado com outras formas de tratamento, como xampu, vinagre e secador de cabelo. Deve ser usado diariamente até o fim da infestação.

Calor

O secador de cabelo ajuda no tratamento, uma vez que temperaturas altas levam a morte do parasita. Recomenda-se secar os cabelos diariamente com a ajuda de secadores de cabelo durante infestações.

Vinagre

O vinagre, misturado com água (duas partes de água para uma de vinagre), facilita a retirada de piolhos e lêndeas durante a utilização do pente fino.

Medicamentos

São comercializados cremes, xampus e loções com ação medicamentosa antipiolhos, deve-se conversar com o médico ou pediatra sobre a utilização dos mesmos. Estes produtos, em sua maioria, são eficazes contra o piolho, mas não contra lêndeas, por isso deve-se utilizar o pente fino paralelamente. Leia sempre a bula e siga as instruções com cuidado. Existem casos de resistência à ação desses produtos, por isso, se após seguir todos os passos e recomendações, não obtiver sucesso, converse com médico ou pediatra para a substituição do tratamento. Existe também tratamento com  comprimido de uso oral que deve ser prescrito pelo médico.


Sufocamento do piolho de forma caseira


Uma forma caseira e econômica que ajuda no tratamento é o sufocamento dos piolhos, este método consiste em tampar a respiração do parasita, o levando a morte.  Após lavar o cabelo, deve-se aplicar bastante condicionador e massagear para facilitar o aparecimento de espuma, ou ainda, usar apenas óleo de cozinha ou azeite de oliva. O condicionador e o óleo facilitam a retirada das lêndeas que estão aderidas aos fios de cabelo. Deve-se embeber completamente os cabelos e abafar, utilizando uma touca plástica ou de borracha e manter a touca por pelo menos 2 horas. Após a retirada da touca, lavar novamente o cabelo, desembaraçar com pente comum e em seguida, pentear com o pente fino, secar e inspecionar. Esse tratamento deve ser complementar, porque não é eficaz contra as lêndeas. Recomenda-se repetir a cada 2 ou 3 dias, até o término da infestação e utilizar também o pente fino diariamente.


Não utilize remédios, xampus ou loções que não tenham sido prescritos pelo médico, nem  algumas soluções caseiras, que além de não possuir eficácia comprovada, podem ser extremamente tóxicas e provocar danos sérios à saúde. Procure sempre orientação do médico e/ou farmacêutico.                                                  .                        


Referências
BURGESS, I. F., 1995. Human lice and their management. Advances in Parasitology, 36:271 342.
CANYON, D. V.; SPEARE, R. & MULLER, R., 2002. Spatial and kinetic factors for the transfer of head lice (Pediculus capitis) between hairs. Journal of Investigative Dermatology, 119:629-631.

LINARDI, P. M., 2002. Anoplura. In: Parasitologia Humana (D. P. Neves, A L. Melo, O. Genaro & P. M. Linardi, org.), pp. 368-372, São Paulo: Editora Atheneu.

autor: Juliana Givisiéz Valente
revisão: Danielle Santos
             Danielle Ventura
             Fernanda Lacerda
  

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