segunda-feira, 28 de abril de 2014

Medicamentos contra a Disfunção Erétil

A impotência sexual masculina é um problema de saúde que afeta principalmente homens maduros e idosos, caracterizada pela incapacidade de manter a ereção peniana suficiente para a relação sexual. Esta condição clínica é conhecida como disfunção erétil e ocorre quando apesar de existir o estímulo sexual, o pênis não se enche de sangue em quantidades suficiente para haver a ereção1. Existem fatores de risco que predispõe o homem à disfunção erétil como hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, doenças na próstata, depressão e idade avançada. Vários desses fatores podem ser amenizados com um estilo de vida saudável, alimentação balanceada, práticas de exercícios físicos e diminuição de hábitos nocivos à saúde, e assim, diminuindo as possibilidades de desenvolvimento da disfunção erétil.


Os medicamentos usados para tratar esta condição, ajudam a manter o fluxo sanguíneo adequado no órgão sexual masculino durante a relação, havendo diminuição do fluxo ao final do ato sexual2, através da  inibição da enzima  Fosfodiesterase 5 (PDE 5). Assim, esses medicamentos favorecem a dilatação de artérias que fazem a irrigação sanguínea local e promovem o relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos (principal estrutura erétil do pênis), facilitando a ereção2,3. Entretanto, apenas o medicamento não viabiliza a ereção, sendo necessário haver também o estímulo sexual e o desejo de se realizar o ato. Em 1998, foi comercializado o primeiro medicamento disponível para a terapêutica, o Sildenafila, popularizado pelo nome comercial Viagra® e hoje, já existem outras opções no mercado farmacêutico como o Tadalafila, Lodenafila e Vardanafila3.

Medicamentos para o tratamento da disfunção erétil
Substância ativa
Nome comercial
Existe equivalente genérico disponível no mercado brasileiro até a
presente data?
Sildenafila
Viagra®
Dejavú®
Suvvia®
Sollevare®
Sim
Citrato de sildenafila
Tardalafila
Cialis®
Não
Lodenafila
Helleva®
Não
Vardenafila
Levitra®
Helleva®
Não

No entanto, os medicamentos para disfunção erétil apresentam diversos riscos à saúde, quando usados em condições impróprias e sem orientação médica. A maior preocupação clínica no uso desses tratamentos, considerado como contraindicação absoluta, é o uso simultâneo com medicamentos que contenham nitratos, usados para angina pectoris (angina de peito), insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio e outras emergências cardíacas, como por exemplo, propatil nitrato (Sustrate®), isosorbida (Monocordil®, Cincordil® e isordil®), nitroglicerina (Nitradisc®, Nitroderm TTS ®, Nitronal® e Tridil®) e dinitrato de isossorbitol (Isocord®). Esta associação pode produzir notáveis reduções da pressão arterial e já houve relatos de pacientes que vieram a óbito devido a esta associação. Inclusive, devido a este grave problema, é muito importante que pacientes usuários de medicamentos contra a disfunção erétil, caso sejam internados com suspeita de infarto, angina ou outros males relacionados a problemas do coração, avisem a equipe médica do uso prévio dos medicamentos contra a disfunção erétil2, 4.

Outra classe de medicamentos que devem ser observados cautelosamente durante o uso de tratamentos contra a disfunção erétil são aqueles usados no tratamento da hiperplasia prostática benigna, como a prazosina (Minipress SR®), terazosina (Hytrin®), doxazosina (Carduran®), classificados nos estudos farmacológicos como bloqueadores α1-seletivos. Estes causam uma redução da pressão sanguínea, podendo acarretar hipotensão postural, que consiste na diminuição da pressão arterial no ato de se levantar e esta condição pode ser particularmente agravada pelo uso de medicamentos contra a disfunção erétil. Outras interações importantes ocorrem quando utilizam-se os tratamentos da impotência sexual junto com alguns medicamentos específicos e este uso simultâneo pode aumentar ou diminuir a ação terapêutica e a toxidez de ambos os tratamentos, isto ocorre com alguns antibióticos (ex: eritromicina), antifúngicos (ex: cetoconazol e itraconazol) e medicamentos utilizados na terapia antiretroviral (ex: saquinovir e ritonavir), por isso, torna-se necessário relatar ao médico todos os medicamentos usados, para que seja avaliado os riscos e benefícios de cada tratamento 2, 4.

Os medicamentos contra a disfunção erétil também podem acarretar alguns outros sintomas desagradáveis como cefaleia em cerca de 10% dos pacientes e em 1 a 10% dos usuários ocorrem tonturas, visões turvas, onda de calor, rubor, congestão nasal, má digestão e náuseas.  Em alguns pacientes, já foram relatados rinite, sonolência, fotofobia e distúrbios de visualizações de cores, no entanto, estes são considerados efeitos raros 2,3,4.

Existem condições clínicas que devem ser avaliadas antes de se iniciar o tratamento contra a disfunção erétil, por isso faz-se necessário à avaliação médica. Pacientes com problemas cardíacos graves, insuficiência cardíaca, batimentos cardíacos irregulares, aqueles que sofreram ataques cardíacos ou possuam pressão arterial descontrolada devem ser criteriosamente avaliados quando a possibilidade de utilizar esta classe de medicamentos. Deve-se considerar também que a atividade sexual, assim como qualquer outra atividade física, aumenta a exigência do coração, podendo elevar o risco de ataques cardíacos durante o ato sexual, por isso deve ser realizada uma avaliação da condição cardiovascular em pacientes com graves problemas no coração antes de utilizar tratamentos contra a disfunção erétil. Outra condição que deve ser observado com bastante cautela são as doenças que predispõem ao priapismo, como anemia falciforme, mieloma múltiplo ou leucemia. O priapismo é a ereção peniana prolongada, que pode alcançar mais de 4 horas de duração, sendo altamente dolorosa e este efeito pode ser fortemente agravado pelo uso de medicamentos contra a disfunção erétil5.

Por fim, o tratamento da disfunção erétil não deve basear-se somente no uso da terapia medicamentosa, aliando-se também com as já citadas medidas não farmacológicas, sempre acompanhado de avaliação, orientação e supervisão médica. Dessa forma, é possível melhorar consideravelmente a qualidade de vida, com prazer e saúde.

 Autor: Juliana Givisiéz Valente

Revisor:
Danielle Maria de Sousa S. dos Santos
Danielle Martins Ventura
Luisa Arueira Chaves

Referências

1.  1.Freitas VM, Menezes FG, Antonialli MMS, Nascimento JWL. Frequência de uso de inibidores de fosfodiesterase-5 por estudantes universitários. São Paulo, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v42n5/6854.pdf Acesso em: 23/09/2013.

      2. Goodman e Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. 11ª edição. McGrawHill, 2006.   

3   3. Smith KM, Romanelli F. Recreational use and misuse of phosphodiesterase 5 inhibitors. Journal of the American Pharmacists Association; 45: 63-75, 2005. 

4   4. Micromedex Healthcare Series. DRUGDEX System. Greenwood Village, CO: Truven Health Analytics, 2014. http://www.thomsonhc.com/, acessado em 27/03/2014.

1    5.  Shamloul R, Ghanem H. Erectile dysfunction. Lancet October 2013; 381: 153-165. doi: 10.1016/S0140-6736(12)60520-0. 






Um comentário:

  1. Pessoal, ótimo texto! A venda de "sildenafil" em drogarias está absurda, são homens de todas as idades...as consequências veremos depois...
    Acho importante que os Farmacêuticos conversem com o paciente antes da venda para tentarem minimizar os riscos de interação medicamentosa...,
    Abçs
    Adriany

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